terça-feira, 28 de abril de 2009

Argentina negocia compra de 20 aviões da Embraer por cerca de US$ 650 mi

Marcio Resende

Em Buenos Aires
Em tempos de queda da demanda internacional por aviões da Embraer, os governos de Brasil e Argentina podem anunciar nesta quinta-feira, dia 23, durante a visita do presidente Lula a Buenos Aires, o avanço nas negociações para a compra de 20 aviões da Embraer por parte da Aerolineas Argentinas, por cerca de US$ 650 milhões.

Além dos aviões brasileiros, o investimento também sairá do país: o empréstimo para o negócio deve ser feito pelo BNDES. Segundo o UOL apurou, o acordo está praticamente fechado.

"Quase com certeza haverá algum anúncio nesse sentido. Estamos na letra miúda do contrato. Esperamos anunciar esse acordo com a visita de Lula na quinta-feira. Vamos ver se dá tempo", antecipou ao UOL o secretário de Transporte da Argentina, Ricardo Jaime.

O acordo requer uma engenharia financeira e jurídica especial porque envolve questões para além de um simples contrato de compra. Mesmo que o contrato propriamente dito não seja ainda assinado, haveria uma declaração presidencial conjunta cuja venda dos aviões da Embraer para a Aerolineas é o principal e mais tangível dos pontos.

Os 20 aviões Embraer modelos 190 e 195 são parte do primeiro plano de renovação desde 1980 da frota da reestatizada Aerolineas Argentinas, desmantelada e carente de aviões próprios.

Contrapartidas
Uma das contrapartidas para a compra é que a empresa brasileira administre a Área de Material de Córdoba (AMC), onde fará a manutenção das aeronaves e onde também funcionará um equipamento de simulação de voos para treinamento de pilotos.

No também reestatizado centro de aviação de Córdoba, o governo argentino pretende dar impulso à produção de equipamentos civis e militares para a qual a Embraer pode tornar-se um parceiro estratégico.

Outra contrapartida é o crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Dos cerca de US$ 650 milhões previstos pelo total da compra, 85% serão financiados pelo BNDES. O presidente do Banco, Luciano Coutinho, estará em Buenos Aires durante a visita de Lula.

Modelos aposentados
Os aviões brasileiros vão substituir os antigos Boeing 737-200 e 737-500 da Aerolineas. Só devem ser incorporados à frota no começo do ano que vem, mas devido à urgência argentina e à queda do volume de produção da Embraer para outros clientes internacionais, algumas aeronaves poderiam ser entregues aos argentinos no segundo semestre de 2009. Os argentinos querem uma primeira entrega antes do dia 28 de junho, quando haverá eleições legislativas no país.

"Estamos trabalhando nos preços e nos tempos. O contrato de um modo geral está pronto, mas sempre a letra miúda requer uma negociação mais fina", explicou Ricardo Jaime ao UOL. "Mas daria tempo para um anúncio", acredita.

No último dia 13, o ministro do Planejamento, Julio de Vido, o Secretário de Transportes, Ricardo Jaime, e o gerente da Aerolíneas, Julio Alak, estiveram na sede da Embraer em São José dos Campos.

Com os jatos de menor porte da Embraer, a companhia argentina poderia voar para cidades pequenas e atender com mais eficácia e menor custo destinos atualmente desatendidos, além de passar a ter voos diários e diretos a todas as províncias argentinas.

"Estamos falando de aviões Embraer 190 e 195 com autonomia regional. Para longos trajetos, estamos comprando Airbus 340. A Embraer não tem aviões para longas distâncias. Enquanto o Airbus 340 tem quase 400 assentos, os da Embraer têm lugar para até cerca de 120 passageiros", comparou Jaime.

Segundo o governo argentino, a vantagem dos aviões da Embraer é que são mais confortáveis e modernos, além de consumirem 30% a menos em combustível do que outros jatos do mesmo porte.

Negociação antiga
A negociação para a compra de aviões da Embraer e para a administração do centro de aviação em Córdoba já dura dois anos. Ganhou mais fôlego a partir da reestatização da Aerolineas Argentinas no passado. E chega num contexto de crise financeira internacional que fez cair as encomendas de aviões da Embraer e provocaram, consequentemente, demissões em massa na companhia brasileira.

Tanto a Aerolineas Argentinas quanto a Área de Material de Córdoba foram privatizadas nos anos 90. A Aerolineas passou primeiro para as mãos dos espanhóis da Iberia (1991) e depois para a Marsans (2001). Aculumou dívidas exorbitantes, abandonou destinos internacionais, perdeu aviões próprios, acumulou atrasos e cancelamentos constantes de voos e fama de mau serviço.

Já o centro para a fabricação e manutenção de aviões situado na capital homônima da província de Córdoba deixou as mãos das Forças Armadas em 1995, passou à concessão da norte-americana Lockheed Martin, mas voltou a ser estatizado. O governo argentino quer recuperar o antigo prestígio do centro com a Embraer como parceira.

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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008
Argentina ratifica que pagará dívida com Clube de Paris

Buenos Aires, 9 out (EFE) - O Governo da Argentina ratificou hoje que cumprirá a promessa de pagar as dívidas com o Clube de Paris no valor de US$ 6,7 bilhões, derivada da moratória decretada em 2001.

"A dívida com o Clube de Paris será paga", ressaltou o ministro da Justiça, Aníbal Fernández, que destacou que o assunto "não se resolve de forma imediata", porque "é necessário um prazo determinado para ir cumprindo todos os passos".

"São muitos os atores que estão no meio" desta operação, disse a jornalistas, referindo-se a que o Clube de Paris é formado por bancos públicos e Governos de 19 países desenvolvidos.

O ministro falou sobre o assunto em um momento em que se conjetura se, por causa da crise financeira internacional, o Governo voltaria atrás na promessa de pagar a dívida feita pela chefe do Estado, Cristina Fernández de Kirchner, no início de setembro.

Aníbal Fernández não quis comentar a possibilidade de que a Argentina peça para pagar sua dívida em cotas em vez de com um só pagamento e com as reservas do Banco Central, como tinha anunciado a governante.

Neste sentido, analistas argentinos aconselharam proteger as reservas monetárias (US$ 45 bilhões) em previsão do impacto que a crise financeira global possa ter neste país.

Outras fontes oficiais consultadas pela Agência Efe não confirmaram ou desmentiram que o pagamento em cotas seja uma das alternativas que serão debatidas em reunião que o ministro da Economia, Carlos Fernández, manterá com diretores do Clube de Paris na Assembléia do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington.

Carlos Fernández, quem chegou hoje à capital americana acompanhado do presidente do Banco Central argentino, Martín Redrado, entre outros funcionários, também deve se reunir com investidores e banqueiros, informaram as fontes.

Um grupo de bancos estrangeiros apresentará hoje perante a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, em inglês) uma proposta para que a Argentina refinancie bônus por US$ 20 bilhões em mãos de credores que rejeitaram a reestruturação de 2005, com a qual o país saiu da moratória declarada em 2001.

"A Argentina tem uma economia sólida, certamente seremos um pouco afetados pelo que está acontecendo no mundo, mas a realidade é que a Argentina nunca esteve tão bem quanto neste momento", insistiu hoje o ministro da Justiça.

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